No mês passado na sexta-feira que antecedeu ao dia das
mães, ouvi uma notícia que me deixou pensativa. Uma professora, de 40 anos, mãe
de três filhos menores de 12 anos, estudante de pedagogia como nós, que no
sábado faria as fotos para sua formatura, marcada para agosto próximo. Ela após
um mês cuidando de sua mãe que estava doente, hospitalizada e veio a falecer no
dia primeiro de maio, acordou naquela sexta-feira, disse ao seu marido que
sentia uma leve dor na garganta, provavelmente seria uma gripe, depois de
tantos dias de idas e vindas ao hospital. Encaminhou-se para o banheiro para
preparar-se para os afazeres do dia, cuidados com seus filhos, administração do
lar, compromissos profissionais e acadêmicos entre outros que todas nós,
mulheres conhecemos bem. Em seguida seu esposo ouvindo um barulho no banheiro,
foi verificar encontrou-a caída no chão, chamou socorro e após inúteis
tentativas de reanimá-la, foi constatada sua morte por infarto.
Tendo ouvido esse relato de uma colega de trabalho minha,
colega de aula dela, imediatamente lembrei-me que no semestre passado, nas
primeiras aulas do seminário integrador II, a profª Cíntia ao nos propor a
tabela do tempo, nos alertou para que, diante dos compromissos que começávamos
a assumir com nossa vida acadêmica, deveríamos nos organizar e fazer escolhas para realizarmos nossas atividades e damos
atenção a outros aspectos de nossas vidas, como vida profissional, familiar,
cuidados pessoais e cuidados com a saúde. Realmente, não raro ouço depoimentos
de colegas e confesso me identifico com eles, são muitos compromissos e algumas
vezes os cuidados com a saúde são negligenciados, consultas que deixamos de
marcar, exames que demoramos a fazer ou protelamos o retorno ao médico para
levar os resultados.
Eu não a conhecia, mas noticia me deixou muito
sensibilizada, por pensar nos sentimentos daquelas colegas que caminharam
juntas trilhando um caminho como o nosso e que mesmo tendo adiado as fotos
daquele sábado, fizeram-nas dias depois, na ausência física de uma colega.
Tendo-a, cada uma em seu pensamento e lembrança. E também por seus filhos, que
em tão tenra idade, passaram este último dia das mães sentindo uma ausência que
nenhum de nós quer sentir. O meu objetivo nesse relato é o de fazer o seguinte
alerta: temos que dar conta de dezenas de atribuições e compromissos que nos são
imputados ou que assumimos semanalmente, sem deixar de estar atentas para a
fragilidade da vida e a preciosidade que é desfrutar dela com saúde, na
companhia daqueles que amamos. Cuidem-se. Sugestão de leitura:
Felicidade na escola Assisti alguns dos filmes indicados na interdisciplina Escolarização espaço e tempo na Perspectiva Histórica, em alguns momentos me
identifiquei como professora, em outros com questões vivenciadas pelos alunos.
São tantos anos de escola, tantas vivencias como aluna, como professora.
Difícil é escolher uma para relatar, poderia buscar na minha infância, no
inicio da minha vida profissional ou em momentos mais recentes.
Como professora lembro-me que em 2009, na escola em que trabalho houve mudança de direção escolar, foi um ano muito
difícil, por questões de adaptação a nova administração na escola. No início do ano assumi uma turma de
jardim da escola em que trabalho, mas as aulas aconteciam em outro espaço, em
uma escola estadual no turno da tarde. Na escola onde trabalho as coisas ficaram
muito difíceis, após a troca da direção. As manhãs eram complicadas, o ambiente
pesado, onde era muito difícil trabalhar e consequentemente difícil ser feliz.
Mas ao me dirigir para a outra escola, andando por cinco minutos, já começava a
ser feliz, lá encontrava um ambiente muito agradável, alunos entusiasmados,
autonomia para trabalhar. Passamos por algumas adversidades, como obras na
escola, o que ocasionou o desalojamento da turma, alterando nossa rotina de
trabalho. Trocamos de sala, passamos dois meses trabalhando em um espaço
improvisado na biblioteca e depois um mês no saguão, todos os dias precisávamos
buscar e guardar nossos materiais em uma outra sala, mesmo assim naquela
escola, naquele momento fomos felizes, eu e meus alunos que ali estavam vivendo
sua primeira experiência escolar. Hoje quando encontro alguns deles, lembram de
tudo com muita alegria, como se fosse uma aventura.
"A felicidade não se resume na ausência de problemas, mas sim na sua capacidade de lidar com eles."
(Albert Einstein)
terça-feira, 5 de janeiro de 2016
Pensando "a infância como fenômeno social"
No
texto Jenks nos traz infância como um fenômeno social importante e que, pode se
dizer, pouco vem sendo estudado. Conclusão essa devido à escassez de dados
encontrados quando se procura saber sobre os impactos causados nas crianças de acontecimentos
que atingem a sociedade.
Os
fatos que atingem a sociedade como um todo também atingem as crianças, mas
pouco se sabe sobre o real impacto sofrido por elas. Para que se obtenha se faz
necessário olhar a infância em diferentes aspectos, em “nível macro”, ou seja,
como um todo, pensar, pesquisar e transformar isso em dados, proporcionando a
visão de um todo. O que, possivelmente, não traduz o que acontece em “nível micro”,
quer dizer a infância individual, ou cada aspecto dela analisado, pois a
infância não é igual para todos e cada criança, em cada tempo e lugar
sofrem impactos diferentes causados por uma mesma situação, ou situação
semelhante.
Abordar
de forma interdisciplinar é estudar, observar e avaliar todos os aspectos da
infância, como a criança é vista e vê o mundo, como é atingida pela sociedade,
pelas decisões políticas, pelo planejamento econômico, pelo meio ambiente e
pelas mudanças sociais, e como ela atua em relação a esses fatores, a forma
como a criança muda as relações sociais e como a sociedade muda a forma de ver
e viver a infância. Para que tenhamos mais subsídios, para analisarmos cada questão
relativa a infância e com isso compreender melhor as crianças com as quais
trabalhamos.
Acredito
que para que esses conhecimentos sejam eficientemente empregados, cada um de
nós professores tem o dever de olhar para as crianças com as quais trabalha de
forma individual e em todos os seus aspectos, com um olhar pesquisador.
Ouvindo-as com atenção, oportunizando que se manifestem e se posicionem nas
mais variadas situações. E também as estimulando a conhecerem e exercerem seus
direitos e deveres, para com a sociedade, para com o meio e para com elas
mesmas. Pois a criança que temos hoje, cada uma delas tem sua própria
condição de infância, diferentes entre si, diferente da criança que tivemos
ontem e da que teremos amanhã. E a nossa ação como professor deve acontecer em
caráter de urgência. Não há tempo a perder.
Preparando o Workshop
Há um mês atrás eu estava preparando a síntese
para o workshop, em meio a outras atividades. Estava difícil vencê-las, entreguei
as atividades, conclui as avaliações de meus alunos, preparei e fiz reunião de
avaliação, e outros compromissos de final de ano que tinha em minha escola. O workshop
ficou para janeiro. Foi acertado, pois não estava contente com o que havia
produzido até aquele momento. Sabia que muito havia aprendido durante o
semestre, e pouco conseguia expressar. Talvez fosse melhor entrar o ano de 2016
totalmente em férias, sem pendencias, mas isso não foi possível.
E
como tudo tem um lado bom, considero que me preparando para esse 1º workshop
com calma, reli alguns textos e minhas produções durante o semestre, e com isso
pude construir minha síntese. Enviei a 1ª versão, e estou preparando o Power Point
para a apresentação. Estou um pouco
ansiosa pelo resultado. Para mim foi de grande valia essa construção, sinto que
serviu para consolidar minhas aprendizagens e também para traçar novas metas
que possam me ajudar no próximo semestre, como rever a tabela do tempo e ter
mais disciplina na realização das atividades e postagens no blog.
domingo, 6 de dezembro de 2015
Brincar na Escola Assistindo o vídeo “Caramba Carambola o Brincar tá na Escola”, lembrei-me de um texto que fiz algum tempo
atrás pensando em meus pequenos alunos, inspirada pelo curta metragem Sentimentário. A turminha
tinha como brinquedo preferido nas idas ao pátio alguns pneus coloridos que tínhamos
lá. Nós professoras, a cada dia éramos surpreendidas por uma nova brincadeira
criada pelas crianças com os pneus.
Pneu:
É um brinquedo que usamos no pátio,
Todos os colegas gostam,
E cada dia inventamos mais formas de brincar
Entramos dentro, rolamos ele,
Colocamos pedrinhas, bolinhas e até laranjas dentro.
Um dia é meu carro, na outra minha moto,
Às vezes minha casa.
No início do ano era muito pesado para alguns,
Mas com o passar do tempo conseguimos dominá-lo.
Ainda bem que temos vários,
Assim todos podem brincar muito.
://www.youtube.com/watch?v=aibvzuELn18
sábado, 5 de dezembro de 2015
FINAL DO SEMESTRE CHEGANDO
Essa frase de Rubem
Alves ilustra e de certa forma explica os sentimentos que me acompanham nesse
final de semestre. Workshop, Retrato da Escola, conclusão das interdisciplinas,
postagens no blog, juntamente com outros compromissos profissionais e pessoais.
Sinto-me angustiada, presa, amarrada, meus pensamentos se misturam e fogem.
Aguardo as borboletas, elas virão,
lindas, fortes e saudáveis. Dando ao final de 2015 mais colorido e alegria.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
O Brincar na Infância
“Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu
coração
Toda vez que o adulto
balança
O menino me dá a mão...”
Milton
Nascimento
Pensando a importância do brincar na infância me deparei com algumas
questões e considerei pertinente trazê-las para este espaço:
-Quanto d’àquela criança que fomos está presente no adulto que
somos? -Quantas vezes recorremos a
ela no enfrentamento e na resolução de nossos problemas e dificuldades?
Brincando a criança experiencia as mais variadas situações e
aprendizagens, se expressa e se relaciona de diversas formas: oralmente,
afetivamente, artisticamente e se relaciona com os espaços, com o tempo, com o
outro e com suas próprias vivências e habilidades.
O que não vivemos nas brincadeiras da infância, tanto no faz de
conta, como nas brincadeiras que envolvem a coordenação motora e as que
envolvem regras, temos mais dificuldade de compreender e vivenciar, quando
adultos. Quantos medos podemos enfrentar brincando?
Na semana passada a mãe de uma aluna de três anos me disse que a filha diz que quando crescer será professora, segundo a mãe a menina diz: “que nem minha prof. Gi”. Claro que em todos esses anos de trabalho outras vezes ouvi relatos como esse. Mas dessa vez, penso que pelos estudos recentes sobre o desejo de saber e transferência na relação professor/aluno, meu sentimento foi diferente. Lembrei-me imediatamente que quando eu era criança, eu queria muito ser parecida com uma amiga da minha família, que eu gostava muito, me dava muita atenção e carinho, me ouvia e eu criança sentia que ela respeitava meus sentimentos. Ela tinha características físicas muito diferentes da minha família, era descendente de alemães, clara, alta, uma mulher muito grande, e na minha família toda são baixos. Eu dizia: “quando eu crescer vou ser igual a Lurde”, como era chamada, e todos riam. Mas na verdade o que eu queria era ser “o que ela era para mim”. Ao ouvir esse relato pensei que muitas vezes para meus alunos eu sou.
A Lurde não era uma professora, e a relação que tive com ela, como uma das primeiras relações que estabeleci fora do círculo familiar, foi muito marcante em minha vida. Considero muito semelhante as relações que estabelecemos com os alunos na Educação Infantil. E sei que muitas vezes transferi para meus professores a confiança e os sentimentos que tinha por ela. Autorizando-os a entrarem em minha vida e desejando muito aprender com eles. Com tudo isso concluo que a transferência também pode se dar, tendo como referência não somente o relacionamento com os pais, mas também a relação com um professor anterior, principalmente nos dias atuais, em que cada vez mais cedo as crianças chegam à escola, e lá estabelecem as primeiras relações fora da família. É muito importante acolher a criança, muitas vezes ainda bebê, transmitindo-lhe segurança para que desenvolva sentimentos de confiança, respeito e por que não dizer amor em relação ao professor, para que essa relação sirva de como modelo, mesmo que inconsciente para relações futuras.
No dia 31 de agosto tivemos a primeira aula presencial do semestre. Nessa aula fomos convidadas a pensar na infância. Mas para mim foi muito emocionante estar novamente em aula como aluna. Na mesma semana, na quinta-feira, mais uma aula presencial, seminário integrador I, em que de tão nervosa (ou ansiosa, não sei bem), esqueci até a senha do meu email. Adaptação de horários, trânsito, dirigir por lugares em que não estava habituada, já que não sou muito experiente, novos lugares, novas, pessoas, novos desafios, novas ferramentas, enfim, um turbilhão de pensamentos, sentimentos e emoções tomando conta de mim, que até hoje sinto dificuldade de organizar para escrever, comecei várias vezes. Mas vamos lá!
As interdisciplinas me fizeram viajar no tempo. Primeiro pensar nas “infâncias”: a que tive juntamente com meus irmãos, em que não tínhamos muita participação no mundo adulto, brincávamos em um pátio grande, poucas obrigações, e algumas privações, já que nossa família tinha poucos recursos, a mãe trabalhava em casa e o pai trabalhava bastante, mas em suas horas de folga sempre nos dava atenção, cantava e contava ‘’causos’’, como ele dizia, repetindo os que mais gostávamos. Em contrapartida, não nos era permitido fazer muitas perguntas, com frequência ouviamos como resposta: “isso não é assunto pra criança”. Pensei na infância relatada por meus pais, em que muito cedo as crianças passavam a assumir tarefas hoje consideradas de adultos, se responsabilizando pelos cuidados com os irmãos menores, pela casa e pela alimentação deles, outros acompanhavam os pais no trabalho, ali também trabalhando como os adultos, mas segundo eles essas tarefas, embora pesadas e cercadas de cobranças e exigências, eram feitas naturalmente, pois era a vida que eles conheciam. Na escola pouco iam, se tivessem dificuldades, era melhor não insistir, se aprendeu a ler já está bom, se já cresceu é melhor ir trabalhar. A infância de meus filhos, em um primeiro momento cuidados em casa por mim, depois pela avó, em alguns períodos, e também indo para a creche, que naquela época começava a ter um olhar não apenas de cuidar, mas também de educar, em casa sem tantas privações, mas ainda com algumas dificuldades, sempre precisando esperar um pouco para ter seus desejos atendidos, ou tendo que lidar com a frustração de não ser atendido. Observando as crianças com as quais trabalho, percebo que cada vez mais cedo, vão para a escola, onde são cuidadas e estimuladas em todos os aspectos. Passam lá muitas horas do dia. A maioria são filhos únicos, têm em casa muitos brinquedos, , seus pais têm como objetivo dar a elas o que não tiveram em sua infância, mas não têm tempo, pois trabalham muito para satisfazer suas necessidades e vontades, estimulando assim o consumismo cada vez mais cedo, como vimos em aula. Porém ainda tem crianças que vivem uma infância como a minha, como a de meus pais, cada indivíduo vive sua história como ela se apresenta, de forma única. Mesmo em uma mesma família, e ao mesmo tempo a percepção de cada um é diferente.
Junto a todos esses pensamentos, vieram as memórias provocadas pela interdisciplina de Escolarização, Espaço e Tempo na Perspectiva Histórica, como escolhi ser professora, lembranças, momentos especiais, comidas, cheiros, pessoas que já se foram, outras que há muito não vejo, músicas muitas músicas, minhas primeiras lembranças escola, o processo de alfabetização, que para mim foi tranquilo. Foi muito bom reviver tudo isso, para seguir em frente encarando as dificuldades com o moodle, fóruns, blogs, enfim, essas novas ferramentas, esse novo jeito de estudar, tudo isso que é novo para mim, e por vezes me deixa inquieta e desconcentrada, me leva e pensar o quanto muitas vezes a sala de aula e todas aquelas informações que vamos tentando passar para nossos alunos podem ser apavorantes se eles estiverem, preocupados com outros assuntos, ou passando por alguma situação difícil, como por exemplo adaptação a uma nova rotina ou escola.
Lendo e relendo os textos e as postagens das colegas nos fóruns, além dos exemplos postados pensei em outra questão recorrente, que percebo no dia a dia, em que penso estar presente a influência do inconsciente.
Muitas vezes encontramos pessoas, colegas que dizem não sei fazer “isto” ou “aquilo”, não tenho essa criatividade, geralmente referindo-se a coisas ligadas às artes à expressão. O que me faz pensar que muitas dessas pessoas cresceram em um momento social e político em que não havia liberdade de expressão. Naquela época o poder político, a sociedade, a escola e as famílias cerceavam a liberdade de expressão e consequentemente a criatividade das crianças ficava limitada. Para se adaptar, ser aceito e sobreviver, poderiam as crianças, optar por não se arriscar, não se manifestar, negando sua criatividade, guardando-a no inconsciente. Ao tornarem-se adultos, mesmo em um momento diferente, mantêm no inconsciente as sansões que sofreram, juntamente com o desejo de se manifestar. E, apesar de ter conhecimento da importância, da autonomia para seus alunos acabam por repetir em algumas situações os modelos autoritários que tiveram na infância. Mas quando em algum momento da vida têm a possibilidade de se expressar, experimentam grande satisfação libertando a criatividade aprisionada daquela criança que foram um dia.